De que forma as plantas medicinais são utilizadas na medicina

A humanidade utiliza as plantas medicinais desde a antiguidade para o alívio de suas doenças. Os primeiros relatos do uso de plantas medicinais pelo homem foram encontrados nas escrituras sagradas e no papiro de Erbes que pertencia à dinastia egípicia que reinou entre 1550 a.C e 1295 a.C.

As plantas medicinais, sem dúvida, são as maiores fontes de produtos naturais e são utilizadas pela humanidade deste a antiguidade para a cura de diversas patologias. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 65 a 80% da população de países em desenvolvimento dependam diretamente de plantas medicinais para tratar de seus problemas de saúde. Portanto, recomenda a valorização da utilização de plantas medicinais na atenção básica à saúde principalmente.No Brasil algumas iniciativas de aproveitamento do conhecimento popular e científico sobre plantas medicinais tiveram sucesso, como é o caso do projeto Farmácia Viva da Universidade Federal do Ceará. Este projeto inclui o uso de plantas medicinais na atenção básica a saúde.

O conhecimento empírico popular incentivou muitos pesquisadores a estudarem as plantas medicinais, levando à descoberta de novos princípios ativos. As sínteses químicas de medicamentos começaram no final do Século XIX, mas até meados do Século XX a base da terapêutica medicamentosa eram as plantas medicinais.O desenvolvimento da química orgânica proporcionou uma nova maneira de obtenção de novos fármacos através da síntese, semi-sintese ou o planejamento dos mesmos a partir de estruturas isoladas de plantas medicinais. Como exemplo podemos citar a salicina, isolada da casca do Salix alba, planta utilizada popularmente para dor e febre e que posteriormente deu origem ao ácido acetil salicílico.

Nas décadas de 30 e 40 a descoberta de novas substâncias antibacterianas diminuiu drasticamente a mortalidade decorrente de infecções bacterianas e trouxe novos rumos para a prática médica. Estas descobertas estimularam a busca por novas substâncias antimicrobianas que até os dias de hoje são utilizadas com sucesso. São exemplos a penicilina descoberta em 1939, a actinomicina em 1942, a estreptomicina em 1943, o cloranfenicol em 1947, a neomicina em 1949 e a eritromicina A em 1950.

Já no período entre 1981 a 2002 mais da metade dos medicamentos que ganharam o mercado são derivados de plantas. Destes 28% são compostos isolados diretamente de plantas ou semi-sintetizados e 24% são sintéticos com grupamentos químicos derivados de produtos naturais. Considerando o período de 2000 a 2006 26 novas moléculas deram origem a novos medicamentos lançados no mercado mundial, como por exemplo a galantamine para a doença de Alzheimer originado da planta Galanthus nivalis.

Os produtos naturais possuem papeis importantes na medicina atual. Eles podem servir de protótipo ou modelo para a síntese de novos medicamentos. Alguns podem possuir atividade biológica pequena , mas que ao sofrerem modificações químicas ou biológicas podem se transformar em drogas potentes, como por exemplo o taxol. Também possuem importância econômica principalmente pelo uso como corantes. Um exemplo é o índigo isolado de plantas do gênero Indigofera, que no final do século XX passou a ser sintetizado a partir do antraceno e mais tarde a partir de hidrocarbonetos isolados do carvão. O tratamento das doenças infecciosas e a oncologia são as áreas mais contempladas com a descoberta de novos princípios ativos. No período entre 2005 a 2010 dezenove novas drogas obtidas a partir de produtos naturais foram aprovadas para a comercialização. Destas sete receberam a classificação de produtos naturais, dez são produtos de semi-síntese e duas são derivadas de produtos naturais.

O sistema único de saúde (SUS), através da portaria 971, de 2006, publicou a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) que recomenda a implantação e implementação de ações no SUS que incluem, entre outras práticas, a fitoterapia na atenção básica à saúde. Em consonância com esta portaria, em 2007 o Programa Nacional de Plantas Medicinais, através do Programa de Plantas Medicinais permite o acesso seguro da população à plantas medicinais e fitoterápicos, pois se preocupa com a qualidade da produção dos mesmos.

 

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