Os números da psoríase e uma alternativa natural

Dia 29 de outubro é comemorado o Dia Mundial da Psoríase. A doença atinge aproximadamente cinco milhões de brasileiros. Em escala global, esse número cresce para 125 milhões de pessoa.A doença inflamatória da pele é crônica, autoimune, não contagiosa e está relacionada a fatores genéticos. A maioria dos portadores da psoríase tem de 20 a 40 anos, mas ela se manifesta também em outras fases na vida, como na infância (15%), segundo dados de um levantamento feito pela União das Associações de Portadores de Psoríase no Brasil (Psoríase Brasil) em 2015.

As lesões avermelhadas e a descamação da pele, típicos sintomas da psoríase, podem aparecer em toda pele. Porém, as áreas de maior incidência são couro cabeludo, cotovelo e joelhos. Após a aparição dos primeiros sintomas, estima-se que o diagnóstico demore ainda de 4 a 12 meses para ser confirmado. Nos casos mais moderados, o paciente provavelmente sentirá apenas um leve desconforto nas áreas lesionadas, como coceira. Já nos casos mais graves, a doença pode ser dolorosa, causando forte queimação, e impactar na qualidade de vida.

POR BAIXO DA PELE

Como foi dito anteriormente, a psoríase não é contagiosa, mas o preconceito das pessoas é. De acordo com o levantamento feito pelo grupo Psoríase Brasil (2015), 81% dos portadores de psoríase declararam ter a vaidade e a autoestima afetadas pela doença.  73% se sentem envergonhados com os sintomas.

A falta de informação sobre a psoríase colabora para que esta realidade continue existindo. Foi apenas no dia 23 de maio de 2014 que a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu a psoríase “como uma doença crônica grave, incapacitante, não transmissível, dolorosa, desfigurante e para qual ainda não existe cura”, o que comprova que essa ainda é uma luta recente em todo o mundo.

Outra pesquisa que trouxe a conhecimento público dados alarmantes em nível global foi encomendada pela farmacêutica Novart. Realizada com 8.338 pessoas, em 31 países, com o envolvimento de 25 associações de pacientes, no Brasil contou com a amostragem de 426 pacientes, sendo 60% mulheres e 40% homens.  96% dos pesquisados afirmaram já ter passado por uma situação de constrangimento e 62% afirmaram que já foram questionados se a doença é contagiosa. Além disso, 41% tem autoestima baixa e 38% se sentem deprimidos por conta da psoríase. Entre os brasileiros, 79% disseram que não frequentam praia nem piscina, já que não se sentem confortáveis com roupa de banho devido à doença. De acordo com os dados globais, as mulheres são as mais afetadas por sentimentos como vergonha, baixa autoestima e falta de confiança.

A servidora pública, Luciana Teixeira, descobriu que tinha psoríase palmoplantar em janeiro de 2016 e seus dedos descamavam muito. No dia a dia dela, todos esses números das pesquisas se tornaram realidade. “Quando meus dedos estavam naquela situação, eu sentia vergonha. Tinha medo das pessoas sentirem nojo, e às vezes até eu mesma sentia, quando ia comer alguma coisa, por exemplo. Quando as pessoas viam, mesmo os amigos mais chegados, isso era motivo de questionamentos. Muito constrangedor, é realmente muito difícil pra gente.”

TRATAMENTO

As formas de tratamento da psoríase são variadas, mas todas têm objetivos em comum: reduzir a inflamação e diminuir a velocidade de reprodução das células da pele e regularizar a aparência da pele.

Para isso, existem três opções de tratamento mais comuns: tópico (cremes e pomadas), sistêmico e por fototerapia. A escolha de qual caminho seguir dependerá do tipo de psoríase desenvolvida e do histórico do paciente – o médico poderá precisar qual o melhor tratamento após a consulta.

Pacientes que apresentam uma forma leve de psoríase, com pequenas e poucas lesões cutâneas, normalmente fazem o tratamento com medicações tópicas, hidratantes e exposição solar (leve e protegida) na psoríase. Os medicamentos tópicos mais utilizados atualmente são as pomadas com corticoides para aliviar os sintomas.

Já os pacientes que apresentam formas de psoríase mais graves frequentemente necessitam de medicamentos sistêmicos (de uso via oral, subcutâneo, intramuscular, ou intravenoso) para o controle da doença. Eles são indicados nos casos em que apenas o tratamento tópico não levou aos resultados desejados.

Porém, o uso prolongado de corticoides tópicos pode causar afinamento e atrofia da pele, alterar a imunidade da pele e ainda causar glaucoma quando o uso prolongado do mesmo ocorrer na face ao redor dos olhos. Além disso, pode desencadear várias outras complicações, como aumento da pressão arterial e a glicose no sangue, redução da massa muscular, alteração do colesterol, diminuição do crescimento em crianças, insônia, depressão, aumento de peso, enfraquecimento da imunidade, entre outros.

OPÇÃO NATURAL À BASE DE URUCUM

Após 17 anos de pesquisas na Universidade Federal de Viçosa, o professor Paulo César Stringheta e o inventor Aloísio Reis, descobriram o potencial cicatrizante presente no urucum e desenvolveram a formulação ideal do extrato obtido nas sementes da planta. Juntos criaram uma linha de produtos fitoterápicos capazes de reduzir o tempo de cicatrização das lesões cutâneas que apresentam resultados muito superiores aos de produtos similares que já estão no mercado e sem efeitos colaterais ou qualquer restrição ao uso.

As quatro pomadas chegaram ao mercado por meio da Profitus, empresa criada em 2008 e vinculada à Incubadora de Empresas de base tecnológica do CENTEV/UFV. Os resultados obtidos pelos pesquisadores em laboratório mostraram que a concentração do extrato do urucum pode variar, o que possibilitou o tratamento de várias lesões dermatológicas. Assim, foram desenvolvidas quatro pomadas indicadas para diferentes tipos de lesões.

A Newderm é o produto da linha Profitus indicada para os casos de psoríase. É livre de parabenos, corticoides e outros conservantes artificiais. Reduz a vermelhidão, ardor, prurido e a descamação provenientes do ressecamento da pele. Portanto configura-se como uma opção natural para o controle dos sintomas da psoríase.

A servidora pública Luciana Teixeira, que enfrentou os sintomas da psoríase nas mãos, utilizou a Newderm para resolver o problema. “O dermatologista me passou pomadas a base de cortisona, mas nada fazia efeito para mim. Eu conhecia uma colaboradora da Profitus e ela me desafiou a usar a Newderm por 10 dias, pelo menos. Em sete dias as feridas já estavam cicatrizadas. Foi uma maravilha.”.

“O diferencial é que as pomadas são feitas com extratos naturais. Não são fármacos, mas sim fitocosméticos. Tecnicamente são chamados de cosmecêuticos e representam uma linha tênue entre fármacos e cosméticos. São produtos que não são somente estéticos já que possuem a capacidade de alterar as características da pele, entretanto não são considerados medicamentos. Por serem produtos com princípios ativos de origem natural, não apresentam qualquer contraindicação no uso em lesões dermatológicas”, afirma o pesquisador Stringheta.

DESCOBERTA INUSITADA
A descoberta do poder cicatrizante do urucum se deu de maneira inusitada. O pesquisador e um dos fundadores da Profitus, Aloísio José dos Reis, conta que em 1999, ao manipular o urucum com as mãos machucadas, percebeu o efeito cicatrizante do produto. “As lesões melhoraram de forma muito rápida”, diz. Curioso, Aloísio procurou o professor Stringheta e ambos utilizaram uma fração das sementes para obter o remédio natural.

A partir daí, foram 17 anos de pesquisas realizadas com o apoio da Universidade Federal de Viçosa. A dupla desenvolveu tecnologia própria capaz de retirar o extrato do fruto de forma mais eficiente e a baixo custo e deram início ao desenvolvimento dos produtos.
O professor Paulo Stringheta ressalta que diversos trabalhos foram feitos anteriormente no laboratório de Corantes Naturais e Compostos Bioativos da UFV e serviram como pano de fundo para teses de doutorado, dissertações de mestrado, artigos, e o livro: Pigmentos de Urucum – Extração, Reações Químicas, Usos e Aplicações.

 

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